domingo, 30 de outubro de 2011

Amor platônico na palma da mão

por Victor Galle
Cronista


Uma gota de suor escorreu. Fria, intensa e tão rápida quanto à sensação de prazer e nervosismo que me tomou de assalto. Mirei a uns trinta metros a frente, lugar onde estava o motivo do meu frenesi interno. Essa é uma experiência vivida por muitos. Mas cada um no seu particular, cada um com um “delírio” privado e fora do alcance das cabecinhas mais “puritanas”.
Sinto-me um condutor de energia, excitação; um complexo de veias e artérias pulsando compulsivamente e de forma aleatória. De modo a perder o foco. Seja ele qual for. No meio dessa confusão de sentidos, percebo algo comum aos animais; o odor natural que pega de surpresa o desavisado. ...como por instinto, olhos dilatam, narinas farejam cada centímetro percorrido por nosso “alvo”. As mãos trêmulas, levadas ao lugar de onde devem ser mantidas até que se acalme a situação. Qualquer pensamento existente até aquele momento é mandado diretamente para a “lixeira” dando espaço no nosso “disco rígido”, (que por sinal esta bem rígido) para as novas informações enviadas e atualizadas a todo momento. O corpo para, se posiciona a minha frente e diz: “Boa noite!” - Boa! – respondi singelamente. Como duas palavras ditas em um breve segundo pode surtir um efeito tão devastador? Amor? Amar alguém platonicamente é tão last Summer. Nesse momento sou tomado por um espírito, uma força que constantemente ganha essa guerra.Ali, no meio da multidão que presta atenção em algo bem distinto, estou eu, me corroendo. E como sempre, a natureza humana vence. Desculpa?! Preciso me ausentar por alguns minutos.
Condenados ao “corredor da morte” estão aqueles que nem sequer nasceram. Todos os músculos se contraem, os olhos se fecham naturalmente, mão esquerda na parede de azulejo fria e úmida. Ofegante, executo a sentença sem prévio acordo. Vão-se milhões de vidas pelo ralo. Descanse em paz, tesão !

Um comentário:

Anônimo disse...

Obrigado! Ficou ótimo. E parabéns pelo blog.

Victor Galle